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CORONEL NEPER ALENCAR – CENTENÁRIO – Blog do Coronel Roberto
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CORONEL NEPER ALENCAR – CENTENÁRIO

CORONEL NEPER ALENCAR – CENTENÁRIO

Ocorre hoje o centenário de nascimento do coronel PM Neper da Silveira Alencar, falecido em 1993.

Coronel PM Neper Alencar, constante
da Galeria dos Comandantes-Gerais
da PMAM

Confesso que me empenhei para dar dignidade a esta data, sabedor de que este elegante Policial deixou um sinal indelével em sua passagem não somente nesta corporação, quanto na cidade de Manaus e muitas praças brasileiras. 

Ainda nada foi realizado pelo distinto camarada. De maneira que me confesso atribulado ao não ter conseguido estimular o comando do Quartel da Praça da Polícia, nem o Clube dos Oficiais, menos ainda a Academia de Polícia e, por fim, a Banda de Musica, para a realização de um suntuoso festejo. 
O texto aqui postado, preparei para uma possível edição jornalística. De qualquer modo, que o saudoso coronel Neper com seu espirito folgazão e caráter amistoso com seus subordinados me perdoe a pobreza da homenagem. 
Com minha respeitosa continência, Chefe.  

6 Junho 1918-2018

Quando Plínio Coelho assumiu o governo do Estado em janeiro de 1955, encontrou a Polícia Militar do Estado sob o comando “heroico” do tenente-coronel Neper Alencar. Esta apreciação foi ditada na Mensagem lida na abertura da Assembleia Legislativa. Substituído no comando pelo major Ex Cleto Veras, a organização foi gradativamente crescendo e, ao seu modo, o ex-comandante Neper.Neper da Silveira Alencar nasceu em Manaus, a 6 de junho, filho de Abílio Alencar, “cuja inclinação era pelo magistério, ensinando matemática”, e de Judith da Silveira Alencar. Entre oito, foi o terceiro filho do casal. Léa Alencar Antony, outra filha do casal, foi conhecida parlamentar em Manaus. Branco, cabelos e olhos pretos, media 1m67 (sua estrutura física dava-lhe mais altura). Mestre Abílio enviou o filho à Belém (PA), a fim de que este frequentasse o CPOR, gerido pelo Exército.
Ao final de 1940, Neper concluiu o curso e regressou a Manaus. Esforça-se para ingressar na Polícia Militar. A fim de acolher o aspirante, o interventor baixou o decreto-lei nº 581/41, modificando artigos do Regulamento Interno. A 30 de junho, Neper tornou-se 2º tenente da PM. Em 1948, era promovido a capitão, e alcança o posto de tenente-coronel em 1954.
O Amazonas vivia momentos angustiantes, igualmente a Força Policial, que necessitava de amplos reparos, de reorganização geral. Basta lembrar que sequer fardamento o pessoal possuía e os vencimentos há meses havia “desertado”. Substituído no comando pelo major Ex Cleto Veras, o tenente-coronel Neper foi nomeado Assistente Militar do governador (função não bem definida). Nessa condição permaneceu até janeiro de 1960, quando o governador Gilberto Mestrinho o nomeia chefe do Gabinete Militar, hoje Casa Militar.
 Em janeiro de 1963, Plínio Coelho assume o governo e mantém o tenente-coronel Neper como subcomandante da PM. Apesar do esforço daquele governante, o progresso policial militar era mínimo, o efetivo seria da ordem de 200 homens. As graves mudanças políticas no período, devidamente aclaradas pelos estudiosos, alcançaram a Força Estadual do Amazonas.
Ao final desse ano, Neper assumiu a Chefia da Casa Militar, ocupando esta até junho de 1964, quando foi dispensado, por ocasião da cassação do governador Plínio Coelho pelo Regime Militar. Passa à disposição da Secretaria do Interior e Justiça até março seguinte, quando retorna à PM e volta ocupar o subcomando. Conduzia a PMAM o major Ex José Jorge Nardi que, exonerado em agosto de 1965, entregou o comando a este oficial que o exerceu até março seguinte.  Seu substituto foi o capitão Ex Hernani Guimarães que, em junho, recebeu parte dos formandos do NPOR, do 27º BC, entre os quais me incluo. Neper Alencar seguiu no subcomando até 5 de setembro de 1969, quando foi promovido a coronel, em decorrência do decreto 1.394/69. Até então este posto era privativo de oficial da reserva, assim, tornou-se o primeiro coronel na ativa.
Dois detalhes: em 1967, Neper esteve à disposição do gabinete do prefeito Paulo Nery; e, em curto período (1967-68), foi comandante da Guarda Territorial, precursora da PM de Rondônia. Dois, embora tenha alcançado o derradeiro posto hierárquico, o coronel não realizara qualquer curso profissional, tornado obrigatório pela Inspetoria Geral das PMs.
No entanto, em 1970, frequenta o CAO (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais), na PMESP, organizado para atender casos semelhantes incididos pelo país. Naquela conjuntura, ele conquista novas amizades, não somente dos colegas de farda, mas de dirigentes do Palmeiras, clube de futebol. Nesse contexto, entusiasmou um grupo de dirigentes do EC Palmeiras. A cidade assistiu a um intercâmbio de jogadores do Nacional FC com o Palestra, de certo com sua contribuição. O intercâmbio prosperou, com coronel aproveitando os subalternos que se dirigiam à São Paulo para conduzir as lembranças da ZFM. Confesso que, em duas oportunidades, servi de “mula” (no ótimo sentido). 

As normas da IGPM motivaram a PMAM a modificar a estrutura de comando. Ocorreu a mudança de subcomando para Chefia do Estado-Maior, a qual foi entregue ao coronel Neper Alencar, que assim alcançou nova primazia: o primeiro Chefe, nomeado em 9 out. 1969.Coronel Neper assistiu a instalação do comércio da Zona Franca de Manaus, tendo desfrutado da mudança, onde era vendida atraente quinquilharia. Tão atraente, que a capital amazonense passou a ser visitada por grupos interessados na aquisição do material exposto nesse porto livre. Diversas delegações militares aproveitaram os “estudos técnicos”, para adquirir as “novidades do mundo” (creio que houve uma loja com esse título). Neper teve o ensejo de propagar sua cordialidade, e com isso tornou-se conhecido nos quatro cantos do País. Possuía algum amigo em cada PM do Brasil. 
Em dezembro de 1971, coronel Neper afasta-se da atividade na PMAM, pois fora nomeado subsecretario de Segurança, função que exerceu por dois anos. Ao fim, segue à disposição da Seseg até que, em dezembro de 1975, é nomeado assessor da coordenadoria regional do Incra. Em abril de 1977, com 36 anos de serviços, é transferido para a reserva. E, seis anos depois, é “reformado pela idade limite.” 

HOMENAGENS 

O número de comendas auferidas pelo coronel Neper permite vislumbrar seus méritos. Foram 35 medalhas, tanto de entidades militares, quanto de civis, destacando-se: Ordem dos Cavaleiros da Concórdia, no grau de cavaleiro, do Poder Judiciário de São Paulo / Medalha Tiradentes das Polícias Militares do Amazonas, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo / Medalha da Sociedade de Veteranos de 1932 (Revolução Constitucionalista), de São Paulo/ Medalha da Sociedade Geográfica Brasileira, governo de São Paulo/ Grã Cruz do Mérito, do Exército Brasileiro.Devido a titulação, o dobrado Tenente Neper possui longevidade, ou seja, foi composto na década de 1940, nos primeiros momentos deste na Força Estadual.  O projeto do então deputado José Cavalcanti Campos (coronel da corporação), sancionado pela Assembleia Legislativa em 1989, nomeou a Academia de Polícia Militar de Coronel Neper da Silveira Alencar. Não chegou a ver instalada essa escola, pois faleceu em 7 mar. 1993, estando sepultado no cemitério São João Batista.

Roberto Mendonça
Roberto Mendonça
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