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NOTA AUTOBIOGRÁFICA (1) – Blog do Coronel Roberto
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NOTA AUTOBIOGRÁFICA (1)

NOTA AUTOBIOGRÁFICA (1)

Declaro que não me lembrei, afinal são passados 50 anos. Todavia, lendo o Correio Brasiliense em edição virtual, fui alertado para o cinquentenário da invasão da Universidade de Brasília pelas forças militares, ocorrida em 29 de agosto de 1968. E o que há de extraordinário para mim? Esse dia foi marcante para mim, amanheci no quartel da Polícia Militar do DF, aguardando uma carona para o aeroporto, a fim de retornar à Manaus, onde ao entardecer deparei-me com o velório de um irmão.

Essa passagem se abre no ano anterior, quando, por conta do curso militar realizado no

Autor, aluno NPOR 1966

Rio de Janeiro, tive a ocasião de vivenciar o embate sustentado pelo Governo Militar. Aos 21 anos, jovem tenente da Polícia Militar do Amazonas, aproveitei essa estadia para reencontrar parte da família materna. E para estimular o anseio por viagem aérea, afinal o rio Negro nos impede de utilizar outra alternativa de transporte rumo ao Sul.

Assim, em julho de 1968, aproveitando as férias regulamentares, fui a São Paulo, mais precisamente à cidade de Santos, residência dos parentes. Sem ideia de valores, ou mesmo porque era complicado a aquisição de passagens, adquiri o trecho Manaus-Brasília-Manaus. Com a ligação entre a Capital Federal e a de São Paulo realizada de ônibus.

Ao final do período de férias, embarquei em Santos e desembarquei em São Paulo, para encarar o ônibus com destino à Brasília. A rodoviária paulista estava situada no centro da cidade, próxima ao temido DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social). Era tempo de forte inquietação, com prisões pelo organismo policial e ataques e atentados de parte de militantes contrários ao governo.

Para minha maior inquietação, na noite anterior, o DOPS havia sido atingido por bombas e outros apetrechos. Circulando pelas adjacências desta delegacia em direção à rodoviária, senti aumentar a adrenalina, e o consequente desejo de prontamente regressar a Manaus, a pacata capital amazonense. Em presença desse panorama, com mostras da destruição espalhadas pelo chão, pelas vidraças da delegacia estilhaçadas e algum vestígio de fogo, tratei de embarcar.

Para saber das notícias, existiam os jornais e o rádio. E devo ter-me socorrido do Estadão para, durante a longa viagem, inteirar-me da situação. À tarde estava na Capital Federal, na Rodoviária tatuada, assim como os transeuntes, pela poeira avermelhada do Centro-Oeste. Localizada no início do Plano Piloto, hoje serve como terminal do transporte urbano.

Recorri a minha condição de oficial da PM amazonense para, visando economizar na hospedagem e transporte, buscar o Quartel-Geral da PMDF onde fui abrigado. O jantar aconteceu com colegas de farda brasilienses, em número avantajado para o serviço normal. Esse foi o primeiro alarme que me ocorreu sobre a motivação da tropa aquartelada. Adiante, no alojamento, os buchichos dos tenentes deixaram-me sabedor da envergadura da missão designada para o dia imediato.

 

Roberto Mendonça
Roberto Mendonça
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